Os menores bichos do Brasil: apresentação do livro

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Imagine um macaco do tamanho de uma escova de dente. Ou um tamanduá que cabe na palma da mão. E um sapo menor do que a unha de uma pessoa adulta!

Você gostaria de ver de perto animais assim? Pois saiba que eles existem – e muitos vivem aqui no Brasil!

Por serem tão pequenininhos (e também pelo local que habitam e seus hábitos de vida), esses bichos não são facilmente encontrados. Porém, tem gente que consegue estudá-los mesmo assim. São os zoólogos: profissionais que buscam entender o que os menores animais do Brasil comem, onde vivem, como se reproduzem, se estão ameaçados de extinção…

Há mesmo muitas curiosidades em torno desses pequenos habitantes das matas brasileiras. Sabia, por exemplo, que um bicho aparentemente pequeno como uma formiga pode ser definido como gigante? Tudo depende da escala na qual se baseia a comparação!

Se você achou curioso, venha comigo conhecer esses animais em miniatura. Você ainda vai descobrir como é o dia a dia de quem se dedica a estudá-los!

 

 

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Capítulo 1: Minúsculos sapos brasileiros

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Foto: Thais Condez

Eles não são maiores do que a unha da mão de uma pessoa adulta. Alguns têm uma cor vibrante, geralmente amarela, e costumam ser chamados de sapos-pingos-de-ouro. Outros, conhecidos como sapos-pulga, são geralmente de cor marrom.

Muito pequenos, estes anfíbios podem medir até dois centímetros quando adultos. No Rio de Janeiro, porém, vive uma espécie de sapo-pulga que mede apenas um centímetro e ostenta o título de terceiro menor vertebrado do mundo.

Encontrados apenas no Brasil e somente em áreas de Mata Atlântica, esses sapinhos vivem em montanhas, alimentando-se de ácaros, aranhas, formigas e outros pequenos artrópodes que vivem no chão da floresta. Podemos encontrá-los nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Espírito Santo, Minas Gerais e Santa Catarina.

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Foto: Thais Condez

Mas por que esses sapos são tão diminutos? Os cientistas acreditam que a diminuição do tamanho do corpo tem a ver com o ambiente que estes anfíbios habitam. Em geral, estes sapinhos vivem em topo de morros, que geralmente estão isolados entre si e apresentam condições menos favoráveis para a sobrevivência, como as baixas temperaturas. Isso provavelmente resultou, ao longo do tempo, em adaptações para favorecer a vida nesses ambientes. O tamanho reduzido seria uma dessas adaptações.

Algo interessante a contar sobre estes pequenos sapinhos é que ao menos três espécies apresentam uma toxina na pele, algo que costuma ser usado pelos animais para evitar a ação de predadores. Aparentemente, ela está presente nas espécies que têm cor vibrante na pele.

Aliás, sabe quais são os predadores destes pequenos sapos das montanhas? Aves conhecidas como macuco e jacupemba, além de aranhas. Porém, os sapinhos têm características que os ajudam a escapar de seus predadores. Além das toxinas presentes na pele de algumas espécies, o fato destes sapinhos viverem no meio das folhas do chão da mata e terem tamanho pequeno é algo que os ajuda a serem menos predados.

 

 

Capítulo 2: Um tamanduá que cabe na palma da mão

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É no Brasil – e também em países como Venezuela, Bolívia e Colômbia – que vive o menor tamanduá do mundo: o tamanduaí.

Esse animal mede, no máximo, 40 centímetros de comprimento, sendo que mais da metade disso é cauda. Para se ter uma ideia, quando se enrola em torno do próprio corpo, o tamanduaí cabe na palma da nossa mão.

O nome desse animal foi dado pelos índios: em tupi-guarani, o “i” serve para identificar o que é muito pequeno.

Morador da Mata Atlântica nordestina e da Amazônia, o tamanduaí come formigas e tem como principais predadores as corujas, os gaviões e as cobras. À luz do sol, seu pêlo cor de mel brilha tanto que parece seda, mas, durante o dia, o menor tamanduá do mundo não gosta de ficar se exibindo por aí. Ele prefere dormir sobre galhos entrelaçados ou dentro de troncos de árvores.

Grande escalador de árvores, o tamanduaí, em geral, é visto sozinho, pois procura um par somente na época da reprodução. Os cientistas acreditam que ele viva cerca de 15 anos, mas, como estamos falando de um animal ainda pouco estudado pela ciência, não há certeza em relação a isso.

Aliás, se você está se perguntando por que esse bicho ainda é tão pouco conhecido – tanto que nem é possível dizer ao certo se ele está ameaçado de extinção, por falta de dados precisos –, saiba que não é moleza encontrar um animal que, além de muito pequeno, tem hábitos noturnos, vive no topo das árvores mais altas – algumas com até 40 metros de altura, o equivalente a um prédio de quatro andares! – e, para completar, quase nunca desce ao chão.

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Capítulo 3: mini-macacos da floresta

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Dois macacos que têm, praticamente, o tamanho da sua escova de dente. Ou até são menores do que ela. Isso existe? No Brasil, sim. E é na Amazônia que eles moram.

Com 130 gramas de peso e 11 a 15 centímetros de comprimento, sem contar a cauda, o sagui-leãzinho não só é o menor macaco brasileiro, mas também o menor do mundo, já que nem os menores macacos da África ou da Ásia são páreo para ele em termos de tamanho.

O sagui-leãozinho, porém, não é o único mini-macaco da floresta amazônica. Isso porque esse também é o lar do chamado sagui-anão, que mede entre 16 e 17 centímetros (sem contar a cauda) e pesa até 185 gramas. O sagui-anão só existe no Brasil e, aparentemente, vive em uma área bastante restrita: entre os rios Madeira e Aripuanã, no Amazonas. Mas os cientistas ainda não sabem nada sobre o seu comportamento e nem como ele se relaciona com o ambiente em que vive. Tudo isso, acredite, permanece ainda um mistério!

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Sagui-anão

 

 

Capítulo 4: Pequenos gatos brasileiros

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Imagine que você foi convocado para a seguinte aventura: passear por todo o Brasil para encontrar o menor felino do nosso país. Você embarca em uma longa viagem, passa por diversos estados e, no final, descobre que não há um vencedor para o posto de “menor felino nacional”… Na verdade, são duas espécies que merecem este título!

Pois é. Existem dois felinos que são considerados os menores do nosso país. Ambos também ocupam o segundo lugar entre os menores felinos das Américas! Para você ver que não basta ser campeão nacional, tem que estar entre os vencedores internacionais também.

Os gatos-do-mato-pequenos são praticamente do tamanho de um gato doméstico: têm cerca de 49 centímetros de comprimento, sem contar a cauda.

Muito parecidos, lembram até onças-pintadas em miniatura, pois também têm o pêlo cheio de pintas. Mas, apesar da semelhança aparente, os gatos-do-mato-pequenos guardam uma diferença essencial entre si: pertencem a espécies distintas, geneticamente diferentes. Além disso, não vivem no mesmo local.

Uma espécie é encontrada no sul, sudeste e centro-oeste do Brasil, além do Paraguai e nordeste da Argentina, em áreas abertas ou com vegetação densa.

Já a outra espécie de gato-do-mato-pequeno mora no Norte e no Nordeste do Brasil, na restinga, no cerrado e na Amazônia. Também é encontrada da Costa Rica ao Norte da Argentina. É chamada, popularmente, de gato-macambira, pintadinho e maracaja-í.

As duas espécies de gatos-do-mato-pequenos ainda são pouco estudadas. Mas sabemos que se alimentam principalmente de roedores e abrem espaço no cardápio também para aves, pequenas serpentes, lagartos ou mesmo besouros, só que em menor quantidade.

Ameaçados de extinção, os gatos-do-mato-pequenos podem desaparecer, no futuro, da natureza. No passado, eram caçados para que sua bela pele fosse vendida. Hoje, enfrentam o desmatamento e a destruição dos locais em que vivem, um problema que atinge muitos outros animais, não só no nosso país, mas no mundo todo.

 

 

Capítulo 5: uma pequena grande formiga

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Um bicho com três centímetros e meio de comprimento é grande ou pequeno? Depende! Sabe por quê? Em áreas da Mata Atlântica do Sul da Bahia, do norte do Espírito Santo e também em Minas Gerais, vive a chamada formiga-gigante-da-Mata-Atlântica, que tem justamente esse tamanho.

Esse inseto ficou conhecido como gigantesco por conta da comparação feita com outras espécies de formigas. Afinal, um tipo encontrado com frequência no açucareiro de muitas casas pelo Brasil mede pouco mais de um milímetro. Já outras formigas que circulam por nossas residências à noite atingem um centímetro. Com seus três centímetros e meio, a formiga-gigante-da-Mata-Atlântica é muito maior do que esses dois exemplos! Na melhor das hipóteses, tem o triplo do tamanho. Na pior, é 35 vezes maior.

Essa gigante da Mata Atlântica come insetos e até restos de pequenos mamíferos mortos, além de frutos. Porém, infelizmente, está na lista brasileira dos animais ameaçados de extinção. Moradora de áreas de floresta, corre risco de desaparecer da natureza porque tem ficado isolada em fragmentos de mata, por conta do desmatamento, o que dificulta a sua reprodução, que naturalmente já apresenta características bastante particulares.

Ao contrário do que ocorre com outras espécies, entre as formigas-gigantes-da-Mata-Atlântica, qualquer uma das fêmeas do formigueiro – as chamadas operárias que, normalmente, não são capazes de ter descendência– pode tornar-se responsável pela reprodução da espécie, ou seja, se tornar a rainha do formigueiro. Porém, também ao contrário do que ocorre com outras espécies, essa rainha da formiga-gigante-da-Mata-Atlântica jamais teve ou terá asas.

Resultado: sem asas, as fêmeas não podem voar até o formigueiro mais próximo para se reproduzir. Têm que ir andando mesmo. A outra opção é esperar a chegada de algum macho à colônia (nesta espécie, somente os machos são capazes de voar).

O problema é que, muitas vezes, no meio do caminho, a formiga-gigante-da-Mata-Atlântica encontra, por exemplo, um imenso pasto para atravessar até o formigueiro mais próximo. Imagine cruzar tudo aquilo andando! Mesmo para o macho, voando, é difícil. Dessa forma, a distância se transforma em um desafio gigantesco para as maiores formigas do Brasil, um bicho que é o maior entre os menores.

 

 

Capítulo 6: Na cola da bicharada

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Foto: Ricardo Romero

É hora de descobrir como é o dia-a-dia de quem se dedica a estudar os bichos em miniatura das matas brasileiras

Estudar os menores bichos do Brasil não é moleza, não. Que o digam os cientistas dedicados a esse trabalho. Para saber como esses animais vivem, o que comem, como se comportam, entre muitas outras características, é preciso não só manter os olhos bem abertos, mas também saber driblar dificuldades e agir como um autêntico investigador.

Manter os ouvidos atentos ao som produzido pelos sapinhos da Mata Atlântica, por exemplo, pode ser uma pista fundamental para que um biólogo encontre os animais que estuda. Afinal, estes anfíbios são difíceis de localizar por conta do pequeno tamanho e por ficarem escondidos entre as folhas do chão. O curioso é que são os machos que cantam e é à cantoria deles que o cientista precisa estar atento!

Aliás, além de colocar os ouvidos a postos ao som da natureza, também é bom mantê-los atentos à previsão do tempo. Isso porque o clima é um fator importantíssimo para o sucesso de um trabalho de campo. Um biólogo que decida estudar os minúsculos sapos da Mata Atlântica, por exemplo, precisa ter em mente que, depois de perder horas subindo uma montanha, pode ser que não encontre, ao final de sua caminhada, nem um animal desses para contar história. Tudo porque, às vezes, o dia está aparentemente propício para o pesquisador ir a campo, estudar os animais que pesquisa, mas, para esses bichos, a data escolhida não poderia ser pior. Afinal, quando o clima está seco demais, os sapinhos tendem a se esconder e a não se mexer. Aí fica difícil encontrá-los, não é mesmo?

Achar as espécies para estudo, aliás, é uma dificuldade que a maioria dos cientistas enfrenta na hora de estudar os menores bichos do Brasil. Não é raro encontrar um pesquisador que afirme ter visto poucas vezes, livre na natureza, o animal que tanto estuda, apesar de anos de trabalho. A explicação para isso é uma só: o comportamento dos animais.

Veja o caso do tamanduaí. Esse bicho, além do tamanho diminuto, tem hábitos noturnos e vive no topo de árvores que podem ter a altura de um prédio de quatro andares. Para vê-lo na natureza, seria preciso passar noites nos galhos mais altos e ainda encontrar um jeito de enxergar no escuro! Mas, claro, é possível, com sorte, encontrá-lo descansando durante o dia, por exemplo. Já em relação ao gato-do-mato, as dificuldades são outras, mas também existem. Como bom felino que é, esse bicho é esquivo, tímido e veloz, capaz de desaparecer rapidamente ao menor sinal de perigo.

A dificuldade em avistar essas espécies, porém, não desanima os pesquisadores, que optam por outros caminhos para fazer o seu trabalho. Há, por exemplo, os que realizam estudos com animais mantidos em cativeiros. Já outros optam por analisar pegadas e até fezes das espécies, que são especialmente úteis para identificar o que elas comem e as doenças que têm. Além disso, ainda existe a possibilidade de utilizar as chamadas armadilhas fotográficas, equipamentos que tiram automaticamente fotos dos animais que passam por eles, e também colares que emitem sinais de rádio e possibilitam que os pesquisadores saibam os locais onde andam e o tamanho da área que o animal ocupa.